sábado, 10 de setembro de 2011
Café protege contra o diabetes
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Nem toda pessoa com IMC alto precisa emagrecer, diz estudo
Obesos que levam uma vida saudável são menos propensos a problemas cardiovasculares, afirmaram pesquisadores da Universidade de York, em Toronto, no Canadá, que analisaram dados coletados de seis mil americanos obesos durante 16 anos, e compararam o risco de mortalidade deles com o de 23.309 indivíduos com peso normal.
"Nossos resultados questionam a ideia de que todos os obesos precisam perder peso", declarou Jennifer Kuk, professora na escola de York de Ciência da Saúde, autora principal do estudo publicado na revista Applied Physiology, Nutrition and Metabolism. De acordo com Jennifer, tentar perder peso e fracassar pode ser pior que manter um elevado peso corporal e levar um estilo de vida saudável que inclua atividade física e dieta equilibrada com muita fruta e verdura.
Os pesquisadores utilizaram o sistema de classificação da obesidade de Edmonton (EOSS, na sigla em inglês) que, segundo afirmam, é mais confiável que o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) baseado no peso e na altura, e que aquele que mede a circunferência da cintura. O novo sistema, desenvolvido pela universidade canadense de Alberta, estabelece cinco fases da obesidade, levando em conta, além do IMC e do tamanho da cintura, parâmetros clínicos que indicam a presença de doenças frequentemente agravadas pela obesidade, como diabetes, hipertensão e problemas coronários.
Embora um índice elevado de IMC esteja associado com um maior risco de doenças relacionadas com a obesidade e de mortalidade, essa é uma medida indireta, que não distingue entre tecido gorduroso e magro, nem leva em conta o estilo de vida das pessoas. Por isso, de acordo com a classificação EOSS, duas pessoas com IMC acima de 30, considerada obesas, devem ser avaliadas distintamente.
Para o chefe do grupo de obesidade do Hospital das Clínicas da USP, Marcio Mancini, o estudo acerta ao não se basear exclusivamente no IMC. "O método utilizado leva em consideração a presença de doenças associadas à obesidade e não se limita a usar somente o peso e a altura." Segundo Mancini, os resultados da pesquisa se justificam porque "há obesos 'metabolicamente normais', que não desenvolvem diabetes, não têm alteração de colesterol e triglicérides, mas podem ter outras complicações como osteoartrose, apneia de sono, aumento de acidentes e câncer relacionado à obesidade. Por outro lado, há magros 'metabolicamente obesos', que ganham poucos quilos predominantemente no abdome, fígado, músculos e desenvolvem diabetes com IMC na faixa de normalidade ou sobrepeso."
Comparados com as pessoas com peso normal, os indivíduos com EOSS 2 e 3 (o índice vai de 0 a 5: quanto maior, pior) possuíam maior risco de morrer por doenças cardiovasculares e câncer. "Ou seja, um homem barrigudinho com peso normal pode ter um risco muito maior do que uma mulher com obesidade e gordura acumulada em coxas e quadris", avalia Mancini. Segundo Jennifer, os critérios do EOSS podem se tornar uma poderosa ferramenta para os médicos avaliarem quem deve ou não perder peso e a identificar pacientes obesos com maior chance de desenvolver problemas de saúde.
Fonte
Artigos Relacionados:
• Edmonton Obesity Staging System: association with weight history and mortality risk.
Appl Physiol Nutr Metab. 2011 Aug 14. [Epub ahead of print]
• Systematic review of the long-term effects and economic consequences of treatments for obesity and implications for health improvement
Health Technol Assess. 2004 May;8(21):iii-iv, 1-182.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Fogachos: A estrada é mais longa que pensávamos?
Sintomas vasomotores (fogachos) podem persistir por uma década ou mais, dependendo de quando começaram.
Fogachos, a queixa mais comum da menopausa, foi relatada durando de 6 meses a mais de 5 anos (JW Womens Health Jun 18 2009). Para compreender melhor este sintoma incômodo, pesquisadores fizeram um estudo populacional prospectivo tipo coorte (Penn Ovarian Aging Study) em que 259 mulheres entre 35 – 47 anos sem usarem reposição hormonal foram seguidas por 13 anos, tempo em que passaram pela menopausa.
A duração média de fogachos moderado a grave foi de 10,2 anos. As mulheres que relataram tais fogachos quando entravam na transição da menopausa foram mais prováveis de experimentá-los por mais tempo (11,2 anos) que as mulheres que começaram a senti-los durante a fase final ou na pós-menopausa. Análise ajustada mostrou que os fogachos duraram mais nas negras que nas brancas, e nas não-obesas que nas obesas. Entre as fumantes a duração foi semelhante.
Comentários: o tratamento mais efetivo para os sintomas vasomotores é terapia hormonal. Contudo, os médicos são encorajados a tratar as mulheres pelo menor tempo possível.
Este estudo fornece mas informação que tão longo o “menor tempo possível” pode ser.
— Anne A. Moore, WHNP/ANP-BC, FAANP
Published in Journal Watch Women's Health May 12, 2011
Citation(s):
Freeman EW et al. Duration of menopausal hot flushes and associated risk factors. Obstet Gynecol 2011 May; 117:1095.
- Medline abstract (Free)
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Quantidades razoáveis de pimenta vermelha ajudam a inibir o apetite
SÃO PAULO - A pimenta vermelha mostra que pode ser uma boa aliada para quem está de dieta. De acordo com uma pesquisa da Universidade de Purdue, dos Estados Unidos, ela ajuda a inibir o apetite por comidas consideradas pouco saudáveis, como as gordurosas.
Mas o efeito ocorre apenas entre aqueles que não costumam comer pimenta. Quando o organismo acostuma com ela, o "benefício" deixa de existir.
A substância responsável pela inibição é a capsaicina, que dá a ardência típica das pimentas vermelhas. Outros estudos já mostraram que ela reduz a fome, aumenta o gasto de energia e a queima de calorias.
O estudo da Universidade de Purdue, publicado na revista científica Physiology & Behavior, observou os efeitos da pimenta vermelha em quantidade que é considerável suportável por todas as pessoas. Para testá-la, os pesquisadores selecionaram 25 pessoas que não apresentavam sobrepeso, 13 delas gostavam de comida apimentada e as outras 12 não gostavam. Os grupos ficaram sob observação durante seis semanas.
Em geral, o consumo de pimenta vermelha aumentou a temperatura corporal e a queima de calorias por meio de um processo natural de gasto de energia. Aqueles que não costumavam comer alimentos apimentados apresentaram uma queda na sensação de fome, principalmente em relação às comidas gordurosas, salgadas e doces.
Mesmo com os resultados animadores, os pesquisadores lembram que apenas comer pimenta vermelha não fará a pessoa perder peso. "Esta descoberta deve ser considerada uma peça no quebra-cabeça porque a ideia de que uma pequena mudança irá reverter a epidemia de obesidade simplesmente não é verdade. No entanto, se outras mudanças forem adicionadas, elas serão significativas em termos de gerenciamento do peso. Mudanças na dieta que não requerem grandes esforços, como salpicar pimenta vermelha na sua refeição, podem ser sustentáveis e benéficas no longo prazo, especialmente quando combinadas com exercícios e uma alimentação saudável", explica Richard Mattes, diretor do Centro de Pesquisa do Comportamento Ingestivo de Purdue.
Artigo Relacionado:
The effects of hedonically acceptable red pepper doses on thermogenesis and appetite
Physiology & Behavior, Volume 102, Issues 3-4, 1 March 2011, Pages 251-258
Effects of red pepper on appetite and energy intake.
Br J Nutr 1999 Aug;82(2):115-23.
domingo, 24 de abril de 2011
O açúcar (frutose e sacarose) aumenta a pressão arterial
No estudo, os homens tomaram um comprimido diário que continha 200 gramas de frutose, que é quase três vezes a quantidade de frutose que consome o homem médio. Depois de apenas duas semanas da dieta rica em frutose, sujeitos apresentaram aumentos significativos na pressão arterial e outros sintomas supostos de serem precursores de doenças cardíacas e diabetes tipo 2, tais como níveis mais elevados de açúcar no sangue em jejum e colesterol mais elevados. Enquanto no passado, os grupos de risco para doenças cardíacas têm sido aconselhadas a reduzir a ingestão de sal, pois isso pode elevar a pressão arterial, estes resultados sugerem que a ingestão de açúcar deve ser que ser mantida sob controle assim o estudo concluiu que os refrigerantes e outras bebidas adoçadas com açúcar estão associados com aumento da pressão sangüínea. E quanto mais açúcar, bem como sódio (também encontrado em abundância na maioria dos refrigerantes), as pessoas consumiam, o maior a elevação da pressão arterial alcançada. Hypertension April, 2011
quinta-feira, 31 de março de 2011
Exame pode prever diabetes até dez anos mais cedo
Um simples exame de sangue pode detectar o diabetes até dez anos antes dos primeiros sintomas da doença começarem a aparecer. De acordo com cientistas do Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos, para isso, basta medir simultaneamente os níveis de cinco aminoácidos presentes no sangue, o que possibilitaria determinar se uma pessoa tem mais chances de desenvolver o diabetes tipo 2. A pesquisa foi publicada no periódico científico Nature Medicine.
“A descoberta nos dá indícios de como acontecem as mudanças do metabolismo no início do processo que leva ao diabetes”, diz Thomas Wang, um dos membros da equipe de pesquisadores.
Novas tecnologias para medir os níveis do metabolismo, mensurando as pequenas moléculas produzidas pela atividade metabólica que são liberadas na corrente sanguínea, têm se tornado o caminho mais seguro para descobrir como o metabolismo de cada pessoa funciona. A técnica pode passar a valer também para exames de diabetes, uma vez que o aparecimento da doença acontece após um longo processo de falência do processo de metabolização da glicose. Com a descoberta da equipe americana, pode ser possível detectar o desenvolvimento da doença a tempo de prevenir determinadas complicação, como a cegueira.
Metabolismo - No estudo da equipe de Massachusetts, descobriu-se que a elevação da concentração dos aminoácidos isoleucina, leucina, valina, tirosina e fenilalanina estava diretamente associada ao aparecimento do diabetes tipo 2. Estudos anteriores já haviam mapeado a maioria desses aminoácidos entre pessoas obesas ou com resistência à insulina. Há evidências ainda de que eles estão diretamente associados à regulação da glicose.
Agora, contudo, os pesquisadores descobriram que medir a presença desses aminoácidos em conjunto é uma técnica mais eficaz, que pode aumentar a precisão da previsão de diabetes. No geral, pessoas que apresentam níveis altos de ao menos três dos cinco aminoácidos correm mais riscos de desenvolver a doença.
“Há vários indícios que mostram que esses aminoácidos ativam de maneira drástica um importante mecanismo do metabolismo envolvido no crescimento celular. Eles podem ainda, de alguma maneira, envenenar a mitocôndria, responsável por prover a célula de energia e sintetizar os aminoácidos”, diz Robert Gerszten, responsável pelo estudo. Segundo o médico, estudos posteriores são necessários para descobrir maneiras de interromper o processo que leva ao diabetes e, assim, evitar a doença.
Fonte
Artigos Relacionados:
• Metabolite profiles and the risk of developing diabetes
Nature Medicine (20 March 2011) doi:10.1038/nm.2307 Article
• New technologies and therapies in the management of diabetes
Am J Manag Care 2007 Apr;13 Suppl 2:S47-54.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Crianças e Vitamina D
A Sociedade Brasileira de Pediatria vai dobrar a recomendação de consumo diário de vitamina D para crianças e adolescentes: o valor salta de 200 UIs (unidades internacionais) para 400 UIs por dia. A atualização será publicada em maio. No Brasil, o cálculo de consumo de vitamina D é feito em microgramas. Cada UI equivale a 40 mcg. Segundo Elaine Martins Bento, presidente da Associação Paulista de Nutrição, 100 gramas de salmão têm 11,83 mcg de vitamina D ou 473,2 UIs. Cada 100 gramas de gema de ovo possuem 2,08 mcg de vitamina D ou 83,2 UIs.
A alteração do manual da SBP seguirá em parte as novas orientações da Academia Americana de Pediatria, publicadas no início deste mês. Nos EUA, as novas diretrizes recomendam o consumo de 400 UI para crianças de até 18 meses e de 600 UI para as mais velhas, independentemente da exposição solar.
A recomendação para consumo de cálcio continua a mesma: de 1 a 3 anos, 700 mg de cálcio; de 4 a 8 anos 1 g de cálcio.
Ossificação. O consumo de vitamina D é importante porque, junto com o cálcio, ela atua no processo de ossificação. Quando está em falta, pode provocar raquitismo, alterações no crescimento e nos ossos, além de reduzir a imunidade. Em quantidades ideais, diminui o risco de osteoporose na fase adulta.
A principal fonte de vitamina D é a exposição diária à luz do Sol, por ao menos 15 minutos. É ele que estimula a síntese da vitamina no organismo. Alguns alimentos também são fontes, mas em quantidades insuficientes para alcançar as metas.
Segundo Virgínia Resende Silva Weffort, presidente do Departamento de Nutrologia da SBP, o Brasil não vai triplicar a recomendação diária (para 600 UIs) porque, teoricamente, a criança brasileira tem mais exposição à luz solar que as americanas.
"A gente entende que a criança com até 18 meses não se expõe ao Sol e, por isso, a ideia de profilaxia (suplementação de vitamina D com uso de medicamento) é necessária", diz Virgínia.
Para crianças maiores, explica, a suplementação só será necessária caso a criança não consiga atingir a quantidade de vitamina D recomendada apenas com alimentação e luz solar.
A nutricionista Bárbara Santarosa Peters, doutora em saúde pública, diz que dificilmente uma criança vai atingir 400 UIs por dia de vitamina D apenas com comida - mesmo que a alimentação seja rica em leite integral e peixes, fontes da vitamina.
"As crianças não alcançam nem a recomendação antiga, de 200 UIs, apenas com alimentação. Agora vai ficar mais difícil ainda. Será necessário estimular a exposição adequada dessas crianças ao Sol", diz.
Segundo Bárbara, muitas pessoas ainda acreditam que o Brasil não tem déficit de vitamina D por ser um país ensolarado, ao contrário dos Estados Unidos. Mas, em um trabalho feito com adolescentes do interior de São Paulo, ela constatou que 62% deles estavam com níveis baixos da vitamina - embora morassem em uma região ensolarada. "As discussões a respeito disso no Brasil ainda são muito recentes. Mas, sem suplementação com medicamentos ou fortificação dos alimentos, acho difícil alcançarmos a recomendação."
Hélio Fernandes da Rocha, do Departamento de Nutrologia da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro, diz que vai seguir as recomendações, mas as considera desnecessárias para o Brasil. "Estamos nos baseando em pesquisas americanas porque não temos trabalhos brasileiros para contrapor os dados."
Para Rocha, os níveis de insolação no Brasil são suficientes para a criança atingir a quantidade necessária de vitamina D, sem precisar recorrer à medicação.
PARA LEMBRAR
No ano passado, tanto o Ministério da Saúde dos Estados Unidos quanto cientistas recomendaram o consumo de leite de vaca por adultos. Os motivos são a riqueza nutricional e a raridade de casos de intolerância e alergia ao produto.
Segundo os especialistas, não se justifica retirá-lo da dieta sem ter certeza de que há algum problema de saúde que contraindique seu consumo.
Os pesquisadores reforçaram que não há evidências científicas de que o leite de vaca cause doenças respiratórias como a asma, por exemplo. Por outro lado, ainda é controverso que o leite seja benéfico para úlceras, por exemplo, como diz a sabedoria popular.
Não há motivo, portanto, para a maioria da população não seguir a recomendação que consta no Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, que preconiza três porções de leite e derivados por dia - uma porção é um copo de leite, por exemplo. Segundo a pasta, o leite é a melhor fonte de cálcio, mineral essencial para a saúde dos ossos, mas o País registra redução de consumo.
Artigo Relacionados:
• Active surveillance: an essential tool in safeguarding the health and well-being of children and youth.
CMAJ;177(2):169-71, 2007 Jul 17
• Primary care pediatrician knowledge of nutritional rickets.
J Natl Med Assoc;94(11):971-8, 2002 Nov.